Há tempos eu não lia como li esse ano: slowly and then all at once. ;)
Agosto foi o ápice da junção de 1) tempo livre extra, 2) preguiça de sair de casa e 3) facilidade de encontrar livros pra ler no Kindle. Nenhum dos livros que li esse mês foi lançado recentemente nem é algum tipo de revelação incrível. Como já disse, fazia muito tempo que eu não lia tanto quanto li esse ano, então estou apenas colocando as prateleiras em ordem.
13 Reasons Why, Jay Asher
(Os 13 Porques, Atica Editora)
Em 13 Reasons Why somos ouvintes voyeurs de 13 fitas que Clay Jensen recebe misteriosamente pelo correio. Sem remetente ou carta, Clay começa a ouvir as fitas e logo entendemos que elas são a despedida de Hanna Baker, uma menina de sua escola que havia cometido suicídio duas semanas antes. Mais do que uma despedida, Hanna promete que as fitas são endereçadas as 13 razões pelas quais ela se suicidou.
A premissa é pesada e por algum tempo fiquei entre a curiosidade e o receio para decidir se lia ou deixava para outro dia. Mas com uma narração que flui suave e no ritmo certo, não consegui parar só no sample e acabei baixando o livro inteiro. O interessante foi descobrir, pouco a pouco, que as razões da Hanna não são razões fechadas, que começam e acabam em si. Elas são, na verdade, 13 pequenos relatos de situações consideradas sem importância ou corriqueiras nessa nossa sociedade distorcida que quase sempre culpa e criminaliza quem é frágil e vulnerável.
Aliás, li uma review falando que o que acontece com a Hanna é comum e que as pessoas apenas engolem os sapos e botam um sorriso no rosto - the show must go on, etc, etc. Ótimo, porque acho que esse era exatamente o ponto que o autor estava questionando ao escrever esse livro! 13 Reasons Why é a Hanna desesperadamente nos falando que, não, você não tem que "engolir os sapos" e fingir que está tudo bem. Já passou da hora de contestarmos essa normalidade absurda e violenta que culpa as próprias meninas quando elas ouvem (muitas vezes dos próprios pais, professores, colegas,) que são "piriguetes" ou que "não se dão ao respeito".
Em resumo: o livro traz uma ótima reflexão sobre como pequenas palavras e atitudes podem desencadear um efeito bola de neve, moldando o universo ao redor de uma pessoa sem que ela tenha muito controle sobre a percepção dos outros e de si mesma. A história segue com uma narrativa bem ritmada que alterna entre a voz de Hanna e os pensamentos de Clay, que tenta entender seu papel na história. Dei 4 estrelas só porque 5 é para os absolutamente favoritos, e esses são poucos.
Fangirl, Rainbow Rowell
(Fangirl, Novo Século)
Falando em absolutamente favoritos, me apaixonei de novo por uma estória e pelas personagens da Rainbow Rowell <3 Quando li Eleanor & Park no começo do ano, já tinha sentido algo diferente quanto à escrita dela, algo que me fez mentalmente marcar o nome dessa mulher com uma caneta neon verde-limão.
Dei 5 estrelas sem titubear e pretendo fazer uma resenha mais dedicada de Fangirl em um outro post, acho que o livro merece mais destaque <3
Anna and the French Kiss e Isla and the Happily Ever After, Stephanie Perkins
(Anna e o Beijo Francês, Novo Conceito e Isla, ainda não publicado no Brasil)
Anna:
Já faz muito tempo que eu vejo Anna e o Beijo Francês nas livrarias e fico namorando o livro... Decidi ler depois de perceber que, ok, a paixão por esse livro é quase uma unânimidade dentre os booktubers. Então que li e achei a história bem fofinha, bem apaixonante até, mas não consegui me envolver muito com as personagens. A Anna, principalmente, não me parece alguém real. São muitas contradições, por exemplo: existem abismos entre como ela mesma se descreve e como percebemos que ela é vista pelos outros, o que só me fez sentir que o texto era incoerente... Sem mais mimimis: realmente não me convenceu :(
3 estrelinhas, porque não deixou de ser uma leitura divertida, anyways.
Isla:
Certo, então eu não gostei muito de Anna and the French Kiss e o que decido fazer assim que termino de lê-lo? Ler mais um livro da Stephanie Perkins, claro! Podia ser sadomasoquismo, mas sou só eu sendo teimosa. Na verdade acho que não consegui aceitar bem o fato de todo mundo avaliar Anna tão bem e ser a única a não gostar tanto assim, e aí decidi dar mais uma chance pra Steph.
Esse livro conta a história da Isla, personagem que aparece rapidamente em Anna, e sua crush no Josh, amigo da Anna e do St Clair. O livro tem várias discussões típicas de YA que preenchem o pano de fundo da história (escolha da carreira e o que fazer depois do ensino médio, mostly), mas o tema principal é o relacionamento entre essas duas personagens mesmo. Ao contrário de Anna, consegui me envolver muito mais com a história da Isla. Rolou uma identificação com o jeito dela - e isso é um motivo bem pessoal pra eu ter gostado do livro -, mas achei a Isla parecida com alguém que existe na vida real, cheia de qualidades, medos e inseguranças. E apesar de também ter passado alguns momentos de raiva com ela, me senti bastante envolvida com a personagem, torcendo por ela e tal.
Dei 4 estrelas e meu ultimato é de que é uma leitura divertida que flui muito bem, além de ser extremamente fofa e de ter uma protagonista altamente relatable.
Bom, isso fecha o post de leituras de Agosto. Gostaria de conseguir ler esse volume de livros todos os meses, mas infelizmente sei que é impossível :( Se alguém estiver lendo esse post randômicamente e descordar (ou concordar) com algo dito no post, ficarei mais do que feliz em conversar sobre nos comentários :))
See ya! o/
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